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Por Tatiane Tavares

No auge do século XXI, com a era digital, globalização, e o fluxo de informações cada vez mais rápido ao redor no mundo, as crianças da atualidade tornaram-se contagiadas por tal fenômeno.

Tendo pais e familiares, com rotinas frenéticas, e que por vezes esquecem, ou, não se interessam pelo simples ato de proferir palavras de curtos livros aos próprios filhos, fazendo com que os pequeninos aos 2 ou 3 anos de idade, nunca tenham se quer ouvido uma única história, mas que, já são capazes de se de apreciar e se identificar com aparelhes eletrônicos e desenhos televisivos.

Segundo dados do Ibope Inteligência/Fundação Pró-Livro, nos últimos dez anos, crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos, têm se interessado menos ou não se interessam pela leitura de um livro. Fato este, é consequência do convívio com a geração digital e a não interferência e apresentação dos pais à Literatura aos filhos. Por mais que as escolas, sendo tradicionais ou não, insistam e relutem para manterem viva a chama do pensamento e imaginação acesa em cada aluno que por elas passem, pouco valerá o esforço se seus responsáveis não os incentivarem. Pais são espelho e semelhança daqueles quem geraram.

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Imagem via G1

A leitura faz bem e é fundamental para a vida humana e para o desenvolvimento do senso crítico em jovens e adultos. Isto não é novidade para muitos… Mas o que fazer para adicionar essa mesma sementinha em bebês e crianças que ainda não sabem ler? A resposta é clara, acessível e quase que retórica: Leia para elas!

A Literatura Infantil é uma prática interdisciplinar, e está diretamente relacionada com outros modos de expressão (o movimento, a imagem, a música) que formam a bagagem comunicativa da criança desde os seus primeiros anos, e através dessas expressões, aprimoram a linguagem e a capacidade de pensar.

As crianças dentro de si, possuem uma mente com um universo próprio, e é possível se aproximar dele com a contação de histórias.

Possuem sentimentos frágeis, entretanto a criatividade é extraordinariamente notória. Por isso deve-se escolher textos de cunho sábio, que lhes gerem reflexões, pois mesmo que não compreendam completamente, se colocarão no lugar do protagonista e absorverão às suas maneiras alguma moral e aprendizado para si.

“Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, MUITAS histórias… Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo…”

O primeiro contato da criança com um texto, é oral. De acordo com Fanny Abramovich, licenciada em pedagogia pela USP, professora, jornalista e autora de diversos títulos da área educacional como “Literatura Infantil: gostosuras e bobices”, as histórias são mais que importantes para o processo de aprendizagem, são essenciais, diz: “Ah, como é importante para a formação de qualquer criança ouvir muitas, muitas histórias…

Escutá-las é o início da aprendizagem para ser um leitor, e ser leitor é ter um caminho absolutamente infinito de descoberta e de compreensão do mundo… O primeiro contato da criança com um texto é feito oralmente, através da voz da mãe, do pai, ou dos avós, contando contos de fada, trechos da Bíblia, histórias inventadas (tendo a criança ou os pais como personagem), livros atuais ou curtinhos, poemas sonoros e outros mais.. contados durante o dia , numa tarde de chuva, ou estando todos soltos na grama, num feriado ou domingo – ou num momento de aconchego, à noite , antes de dormir, a criança se preparando para um sono gostoso e reparador, e para um sonho rico, embalado por uma voz amada.”[1]

Como ler ou falar com um bebê ainda no ventre materno, contar histórias é mais que uma maneira lúdica de interagir, educar e aguçar o mundo interior dos pequenos, é afeto, é amor.

E quando se torna uma tarefa rotineira e como parte das famílias, este sentimento é subentendido e levado a vários encargos, como a entrega, envolvimento, vínculo, diálogo, escuta, afeição e aceitação incondicional.

O hábito da oralidade de textos é a interpretação de amor para as crianças, e assim como as gerações passadas puderam beneficiar-se dessa estima, as do futuro também merecem.

[1] Abramovich, Fanny – Literatura Infantil: gostosuras e bobices. Ed. Scipione: São Paulo, 2009, p. 14

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